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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

sobre a foto de lisboa vista do espaço

Por certo que já todos viram a foto que o astronauta Chris Hadfield, de lá de cima, tirou a lisboa. É sempre bom ver portugal reconhecido nas voltas de um homem no espaço, mas, a mim, chega sempre um olhar crítico: à noite, a cidade e as suas redondezas têm luzes garridas, mas é quase impossível fazer a distinção entre o que é água e o que está para além delas. Seria ainda mais interessante ver a foto do país inteiro, que não é assim tão grande para ter apenas três ou quatro focos de luz.


de qualquer maneira passem pela conta do twitter do senhor, que tem umas quantas fotografias bonitas.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

as primeiras impressões da metamorfose

comecei a ler a metamorfose de Kafka, não vou muito adiantado, mas foram logo os primeiros pensamentos que me prenderam. não sei o que é mais normal, um tipo acordar transformado num insecto gigante, ou o facto de ter acordado assim e conseguir rastejar mentalmente sobre as preocupações de estar atrasado para o emprego. e não digo isto como uma critica negativa, gostei.


quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

sobre olhos de mongol

sempre que ouço este disco, ouço-o incansavelmente por dias e dias. tem-me acompanhado ultimamente e faz-me recordar das primeiras vezes que o ouvi. foi com ele que conheci os linda martini, já um pouco tarde, conquistaram-me de imediato. pela sonoridade zangada e melancólica, pela lírica sem merdas. é um disco com todas as fases da dor. foram ouvidos de mongol.


sábado, 2 de fevereiro de 2013

um poema para ter cesariny como bengala

É preciso dizer rosa em vez de dizer ideia
é preciso dizer azul em vez de dizer pantera
é preciso dizer febre em vez de dizer inocência
é preciso dizer o mundo em vez de dizer um homem

É preciso dizer candelabro em vez de dizer arcano
é preciso dizer Para Sempre em vez de dizer Agora
é preciso dizer O Dia em vez de dizer Um Ano
é preciso dizer Maria em vez de dizer aurora

Mário Cesariny, in exercício espiritual

nem quero saber do que escrevo, escrever é para mim um exercício espiritual. não é como a matemática, que é um exercício da razão. não me interessa ter razão, interessa-me ter as minhas palavras. tê-las é mais que não as ter.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Sem Título #39

Franz lembrava-se bem das lições que aprendera dos documentários sobre o mundo animal, no qual afinal pertencia. Haviam animais que migravam. a determinada altura do ano, sempre a mesma, seguiam até um mesmo sítio e também pela mesma rota. passado algum tempo regressavam. E haviam animais que seguiam juntos, não paravam, apenas seguiam. aquele a ficar para trás era um animal perdido. estar perdido, para cada um daqueles animais que seguiam, era estar morto, não existir mais. um animal perdido era, portanto, um animal não existente. Franz via que também o mundo racional era assim, ainda que racional devesse remeter para um pensamento próprio.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

please destroy me, please destroy me, please destroy me

Watch the stream run by you. Watch the indian chief, wrapped in blue corn leaves, drift by you. Watch it take root in the sun's pond and rise the fire. Oh, no more being matchwood. Only rising higher. I wanna see you be the one whose first light harbors in the new day. And see you settle into yourself and never be afraid. Now i take everything as a good sign, because i'm in love. I take everything as a sign, from god. And now i give myself to you alone, no more nights hang above me.

Please destroy me, please destroy me, please destroy me, yeah.

Devendra Banhart - First song for B

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Sem Título #38


mundo estranho quando sorrir sozinho na rua é considerado estranho

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

as sombras colidem

colidir com a tua sombra
é quase colidir contigo

a minha sombra colidir com a tua
é quase colidir com a tua sombra

todas as colisões atómicas são aleatórias

sábado, 19 de janeiro de 2013

sou um citadino com limites, ou um necessitado da natureza

tenho uma boa relação com lisboa, não me canso das ruas, das imperfeições da calçada. gosto dela no dia e  na noite. gosto da cidade que é, de entrar no seu ritmo, hei de viver no centro. sou um citadino com limites, por mais que aprecia a vida nesta cidade, sei que tem um limite. como tudo. e esse limite guia-me para o campo, para a floresta. tenho uma ligação com essa forma mais natural da vida, talvez porque as minhas raízes não estão na cidade, mas numa vila no interior de portugal. talvez nem seja por isso, não importa, a ligação existe. moro num subúrbio de lisboa e gosto de me deitar na cama, olhar pela janela e ver apenas duas árvores, agora despidas, com o céu por trás. sem prédios e mascaradas de uma quase inexistente intervenção humana. sossega-me o tal limite. talvez seja também por isso que tenho a necessidade de fazer aquela viagem solitária por um local onde possa contactar com a natureza. gosto de coisas que recordem desta ligação, como alguns filmes que vejo, ou bandas que ouço. esta é uma delas.



quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

os topes de dois mil e doze

Não há nada como começar um ano realçando as melhores coisas do que passou. Dois mil e doze, fora o óbvio, foi um ano agradável e produtivo. É isso que se quer. À semelhança com o que aconteceu no mês passado por tudo o que era sítio da internet ligado à cultura, vou deixar aqui os seis primeiros discos que me vieram à cabeça no momento de pensar em quais destacar.
É de notar três coisas: ainda existem muitos discos por ouvir, muitos deles só vou descobrindo meses depois e, assim, tarde de mais para integrarem a lista, é possível até que me esteja a esquecer de algum; não existe qualquer tipo de hierarquia nos nomes que se seguem; e optei por listar os discos porque consigo manter a música relativamente actualizada, já no cinema e na literatura... Bem, aqui fica:
  • Fear Fun, Father John Misty
  • Shields, Grizzly Bear
  • Pop é o contrário de pop, Os Quais
  • Os Sobreviventes, B Fachada, Minta e João Correia
  • Roque Popular, Diabo na Cruz
  • Odissipo, O Cão da Morte

Bom 2013.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

tenho tido sonhos de voar | farto de voar, d'os sobreviventes de b fachada

Farto de voar, pouso as palavras no chão. Entro no mar, sinto o sal de mão em mão. Tenho um barco na vida espetado, só suspenso por fios de um lado e do outro a cair, no arpão.
Levo a dormir, sonhos que andei para trás. Ergo o porvir, trago nos bolsos a paz. Tenho um corpo na morte espetado, só suspenso por balas de um lado, e do outro a escapar de raspão.

Sérgio Godinho, in Farto de Voar

B Fachada, Minta e João Correia  - Farto de Voar

sábado, 22 de dezembro de 2012

o apocalipse das ideias

Existem forças capazes de mover homens. Capazes de penetrar na sua pele, seguir pelos vasos sanguíneos e ficar alojadas nos tecidos moles. Existem forças que se replicam na existência do homem, como um vírus. Existem ainda forças que corroem e destroem toda a sua metafísica. As ideias são todas essas forças. As ideias instalam-se e corroem, são metásteses mentais. A religião é uma dessas ideias, a crise, de uma certa forma, também. E todos os supostos apocalipses.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Cadernos da Tese: o tempo que passou

O tempo passa que nem uma rajada de vento, é o primeiro inimigo de quem está a fazer uma tese. Metade do semestre que tenho para fazer esta dissertação é passado. Os conjuntos de palavras, ideias e concepções começam a ganhar uma forma mais real, tanto no papel como na cabeça. É assim que funciona esta máquina, sempre foi, primeiro conceber concretamente tudo na cabeça e só depois passar para acção à frente ao teclado, já com algum vento nervoso no estômago, e no ponteiro do relógio. Os próximos três meses esperam-se atribulados. É como se diz, na natureza não existem linhas rectas.

sábado, 15 de dezembro de 2012

nunca parto inteiramente

















Nunca parto inteiramente. Vivo de duas vontades: uma que vai na corrente, a outra presa à nascente, fica para ter saudades.

Manel Cruz, in Nunca parto inteiramente

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Provérbios flamengos e o espelho da sociedade

Falei deste quadro há bem pouco tempo e é engraçado ir vendo os seus pormenores e descobrir que é um óptimo espelho da sociedade. Quando se olha para o todo, vê-se uma paisagem rural, característica da época e até bastante pacifica. No entanto, olhando a cada detalhe passam-se coisas verdadeiramente estranhas. O que mais me agradou foi mesmo essa primeira impressão apaziguadora que o quadro transmite e depois verificar que não é nada assim, que é tudo uma grande confusão caótica. A mesma sensação que tenho quando passo na ponte por cima de alcântara: lá em baixo a vida é tão pequena e sem detalhe.


Provérbios Flamengos, de Pieter Bruegel the Elder


sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

descobertas interessantes

Na secção de livros encontrei esta capa...


... que logo me recordou a do primeiro disco de fleet foxes.

Ambas provenientes de um quadro de Peter Bruegel com o nome de Os Provérbios Flamengos. É este tipo de interacção que gosto na arte: uma pintura mais velha que qualquer individuo à face da terra fazer agora parte de duas obras de arte, neste caso da literatura e da música contemporâneas.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

um poema que me faça lembrar as raízes

O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.

O Tejo tem grandes navios
E navega nele ainda,
Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,
A memória das naus.
O Tejo desce de Espanha
E o Tejo entra no mar em Portugal.
Toda a gente sabe isso.
Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia
E para onde ele vai
E donde ele vem.
E por isso porque pertence a menos gente,
É mais livre e maior o rio da minha aldeia.

O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.
Quem está ao pé dele está só ao pé dele

Alberto Caeiro, in O Tejo é mais belo

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

feels like we only go backwards, tame impala

It feels like i only go backwards baby
every part of me says go ahead




 do maravilhoso Lonerism.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

porque é que não é tudo como calha


fica sempre tanta gente para trás ou é para a frente nem me lembro agora tanto faz. os ofícios, as rotinas que escaparam rapaz, as mentiras, as meninas que deixaste em paz. as leituras, as viagens, as carreiras que deixaste em paz. já perdeste um companheiro e estás inteiro sem os sonhos que deixaste em paz, a velha ganância, a namorada de infância, a casa no bairro, o carro

e tudo o que não volta atrás do karma que deixaste em paz.


B Fachada - como calha


segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Sem Título #37

I am no longer sure of anything. If I satiate my desires, I sin but I deliver myself from them; if I refuse to satisfy them, they infect the whole soul.


Jean-Paul Sartre