quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Arte quis ser vida


Este podia ter sido o título do post anterior, mas só depois de pensar no que tinha escrito é que esta música me veio à cabeça. A maioria das letras dos trabalhos de Manuel Cruz tocam-me sempre de alguma maneira.



É o meu brinquedo, é o meu brinquedo!
Eu estrago, eu arranjo, eu entendo

E sobretudo é nele que eu aprendo
A calar meu medo


segunda-feira, 10 de setembro de 2012

a arte, vista como um hobby

Ricardina, essa, desaprovara com espalhafato «o despautério do menino». E era isso, para fazer versos, que arrasava a sua saúde, deitando-se de madrugada e trazendo aquela cara escaveirada. Vissem onde os versos tinham levado o avô Teotónio! E era um talentão, esse, íntimo de fidalgos, conhecido na Corte!... Pois lá morrera, numa enxerga de hospedaria, com uma camisa na mala e um montão de papelada!... E no seu horror à Poesia, que ela considerava a origem fatal da fome e do vício, pediu a Vasco que trouxesse o menino a ideias mais sérias, mais práticas, de carreira e de futuro: e o farmacêutico fê-lo com palavras muito graves, muito meditadas: se o senhor Corvelo gostava de empregar os seus vagares, como era justo na sua idade, porque não unia o útil ao agradável, e porque não estudava a bela Física, a bela Química, que lhe seriam de tanto auxílio no seu futuro farmacêutico? E acrescentou com bondade:
 - Eu não digo, quando se tem já uma posição na sociedade, e alguns vinténs de lado, que não seja bonito poder produzir um bom acróstico, ou , sem malícia, um engraçado epigrama... Mas fazer da poesia a principal ocupação, não! Desculpe-me o senhor Corvelo, essa é uma grande imprudência, e há-de concorrer para o desviar dos seus deveres...
Artur empalidecia de raiva. 

Eça de Queiroz in A Capital

O Eça já morreu há mais de 100 anos e, ao que parece, já nessa altura a arte era vista como algo que não deve ser a primeira e principal ocupação de uma pessoa. Não sei se é uma opinião só portuguesa, se faz parte da nossa tradição em não arriscar ou se é por se dizer que somos um país de artistas, o facto é que este pensamento já se arrasta há gerações. Li-o neste romance (pura arte de um grande nome da literatura portuguesa), já ouvi o Jacinto Lucas Pires a falar do mesmo, da altura em que decidiu que queria escrever, e também a mim já fizeram este discurso.

A verdade é que isto se reflecte no estado em que a arte, no geral, se encontra nosso país: retraída, menosprezada, muito pouco apoiada e consequentemente consumida apenas pela elite dos que ainda se interessam e acreditam nela.

domingo, 9 de setembro de 2012

Memória eidética, número dois

David Byrne & St. Vincent, por Andreas Laszlo Konrath


Trainspotting, de Danny Boyle





sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Unspoken Understanding, de John Filipe
















John Filipe é um realizador português conhecido por fazer vídeos para músicas de artistas nacionais, como Filho da Mãe, Linda Martini e Paus. Todos estes trabalhos são dotados de uma certa marca de autor, coisa que aprecio, especialmente no que toca ao cinema. 

Unspoken Understanding é a estreia de John no mundo das curtas-metragens, tendo estado, inclusive, presente na última edição do New York Portuguese Short Film Festival. Trata-se de uma curta muda e muito cénica, com passagens que imediatamente apelam à nossa percepção da realidade, dos sentimentos e das emoções. Tudo isto é levado à perfeição pela banda sonora que acompanha a progressão do filme, feita pelos Pop Santeiro, e pela belíssima prestação da actriz Joana Barradas.

Quanto a interpretações, essa questão está em aberto porque, cada vez que vejo esta curta ocorre-me uma nova explicação. Assim sendo, apenas tenho uma certeza, que é o facto de se tratar daqueles sonhos tão reais, que ao acordar pensamos que de facto aconteceram.


links: 

terça-feira, 4 de setembro de 2012

paris is burning, St. Vincent



Come sit right here and sleep while I slip poison in your ear

imagem: daqui

domingo, 2 de setembro de 2012

Memória eidética, número um




Sygma-Keystone-Paris, 1989




eidético
adj.
1. [Filosofia] Que se relaciona com a essência das coisas.
2.Actualmente usado para descrever algo marcado por ou envolvendo memórias extraordinariamente precisas e vividas, especialmente as visuais.
imagens eidéticas: espécie de imagens visuais de particular nitidez e quase alucinatórias, na criança.

memória eidética
capacidade de se lembrar de coisas ouvidas e vistas, com um nível de detalhe quase perfeito.

imagem:  daqui

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

goodreads, uma rede social para leitores

 as minhas estatísticas literárias desde 2009


Foi a partir do blog Horizonte Artificial (o qual recomendo) que conheci o goodreads, uma rede social desenhada para leitores e amantes da leitura. O conceito é bem simples: cada utilizador concebe uma grande lista com livros que leu, quer ou está a ler, podendo dar a cada um uma classificação e um review. O utilizador pode ainda amigar os outros utilizadores e ver as suas leituras, que poderão vir a enriquecer as dele.

A parte que mais me despertou foi a possibilidade de vermos as nossas estatísticas anuais, tanto a nível de número de livros como de páginas. Tudo isto é acompanhado por um rigor impressionante, podemos até escolher a edição do livro, fazendo com que a nossa lista fique bem bonitinha e com que o número de páginas seja mesmo fidedigno. Para deixar as coisas mais empolgantes, podemos fazer um desafio a nós próprios e colocar uma meta de livros que pretendemos ler num ano. Fiquei-me pelos 5, que estamos quase no fim de 2012, só li 2 (720 página soa melhor) e tenho uma tese para fazer.

O mais assustador de passar a tarde a tentar recordar-me quando li este e aquele livro é facto nada adquirido que o tempo passa tão rápido como uma rajada de vento. Para mim dois mil e nove foi anteontem e dois dias depois já estou quase no fim de dois mil e doze.


Podem ver o meu perfil aqui.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Justin Vernon, bon iver

Justin Vernon, fotografado por Bex Finch

fonte: aqui

terça-feira, 28 de agosto de 2012

pop é o contrário de pop, Os Quais




Pop é o contrário de pop é um álbum que se destaca logo pelo nome. De facto, podia destacar-se só e apenas por este simples anagrama (do qual ainda ninguém se tinha lembrado!), mas pondo as palavras de parte, é uma delícia só de ouvir.


Oiçam mais d'Os Quais