Changing, por Aleksandr Malin
A guerra é aqui e agora
Há 21 horas

É o meu brinquedo, é o meu brinquedo!Eu estrago, eu arranjo, eu entendo
E sobretudo é nele que eu aprendoA calar meu medo
Ricardina, essa, desaprovara com espalhafato «o despautério do menino». E era isso, para fazer versos, que arrasava a sua saúde, deitando-se de madrugada e trazendo aquela cara escaveirada. Vissem onde os versos tinham levado o avô Teotónio! E era um talentão, esse, íntimo de fidalgos, conhecido na Corte!... Pois lá morrera, numa enxerga de hospedaria, com uma camisa na mala e um montão de papelada!... E no seu horror à Poesia, que ela considerava a origem fatal da fome e do vício, pediu a Vasco que trouxesse o menino a ideias mais sérias, mais práticas, de carreira e de futuro: e o farmacêutico fê-lo com palavras muito graves, muito meditadas: se o senhor Corvelo gostava de empregar os seus vagares, como era justo na sua idade, porque não unia o útil ao agradável, e porque não estudava a bela Física, a bela Química, que lhe seriam de tanto auxílio no seu futuro farmacêutico? E acrescentou com bondade:- Eu não digo, quando se tem já uma posição na sociedade, e alguns vinténs de lado, que não seja bonito poder produzir um bom acróstico, ou , sem malícia, um engraçado epigrama... Mas fazer da poesia a principal ocupação, não! Desculpe-me o senhor Corvelo, essa é uma grande imprudência, e há-de concorrer para o desviar dos seus deveres...Artur empalidecia de raiva.
Eça de Queiroz in A Capital

eidéticoadj.1. [Filosofia] Que se relaciona com a essência das coisas.2.Actualmente usado para descrever algo marcado por ou envolvendo memórias extraordinariamente precisas e vividas, especialmente as visuais.imagens eidéticas: espécie de imagens visuais de particular nitidez e quase alucinatórias, na criança.memória eidéticacapacidade de se lembrar de coisas ouvidas e vistas, com um nível de detalhe quase perfeito.