segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Cadernos da Tese: a mobilidade e a música

O mais inglório de estar a fazer uma tese sobre mobilidade, que defende o uso transporte colectivo face ao individual (e poluente), e de eu próprio defender esta ideia extracurricularmente, é a CP. Estas greves, que são claramente excessivas e que ocorrem mesmo quando não existem, lixam e põe tudo em causa. Tanto quanto sei, os outros transportes, funcionam relativamente bem. Ora vejam como será o mês de Outubro em alguma das estações do metro de Lisboa, que sempre foram boas para ver pessoas a tocar. Hoje, que é dia mundial da música, começa-se logo a viajar com bons sons.


domingo, 30 de setembro de 2012

Memória eidética, número cinco

Comboio da Linha do Tua, Sendas, 1975

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Fear Fun, de Father John Misty


Arrisco-me já a dizer que este é o disco que mais gosto deste ano. Não é apenas por ser realmente bom, mas trata-se de um Tillman completamente novo. Não que os discos anteriores não fossem também bons de ouvir, aconselho-os vivamente a quem gosta daquele folk mais melancólico, mas este, do seu alter-ego Father John Misty, é acompanhado de uma personagem excêntrica, que se revela na sua musicalidade também renovada. Ora veja-se como ele próprio a descreve:

Misty is a drunk, shamanic drifter character offering you a cup of his home-brewed ayahuasca tea. There is nothing naive or sentimental about him. He’s a loner who doesn’t see the world as being worth saving. ‘Father John Misty’ is not really even meant to be taken as a literal person, more like an avatar of mischief. He likes to needle people a little and freak ‘em out. But I could’ve called him ‘Steve.

Para já, Fear Fun, tem-me acompanhado nas poucas viagens que tenho feito para a faculdade, com o rio Tejo como fundo. Mas vai ficar bem melhor quando as chuvas e o frio de Outono voltarem de vez.


domingo, 23 de setembro de 2012

Moonrise Kingdom, de Wes Anderson



Sou suspeito em falar, porque adoro todo o imaginário dos filmes deste realizador, mas este está especialmente fantástico, em cada pequeno detalhe.

Memória eidética, número quatro

Homem cego a vender canetas em Nova York, 1890, por Jacob Riis

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

tu és o teu poço

Tu és o teu mundo, tu és o teu fundo,
tu és o teu poço, és o teu pior almoço
és a pulga na balança, és a mãe dessa criança,
és o mal, és o bem, és o dia que não vem


Borboleta, Foge Foge Bandido

terça-feira, 18 de setembro de 2012

A capital!

Nessa tarde, com a serenidade melancólica de quem tomou uma resolução dolorosa, foi passear ao acaso para fora da vila. E ia resumindo a sua existência, procurando explicá-la: donde vinha que que só recebera do mundo desilusões? Da falta de simpatia, pensou. Quem o tinha estimado, amado, desde que o seu pai morrera, e que ele entrara na vida? Ninguém! Em Coimbra, não tinha amigos: para os seus companheiros, com quem comia, a quem admirava, era o Arturzinho, o caloiro. Tinha passado na geração académica desconhecido, ruminando as suas exaltações, encolhido na sua batina, sem ruído. Um dia, o caloiro fora para a terra, acabou-se! Depois, em Oliveira, - quem encontrara? O Teodósio era o bruto, para quem a amizade era acompanhá-lo de madrugada, entre os restolhos de Santo Estêvão, à caça das perdizes! O Rabecaz, que sabia ele de afeições, de ligações de espírito, aquele embrutecido, retirado, pela pobreza, dos bordéis e das batotas, - vivendo entre o copo de aguardente e uma carambola catita? E em Lisboa? O Meirinho, caloteara-o; o Melchior, explorara-lhe jantares e tipóias; o Nazareno, chamava-lhe vilão, o Damião canalha; o Manolo, roubara-lhe a rapariga; e querer ser estimado pelo Videirinha, era como ser perfumado por um esgoto. Nunca recebera o amparo da Amizade, nem sentira o calor fortificante da Simpatia ambiente, sem o qual o homem vai pela vida, com por uma floresta escura, tropeçando contra troncos que o magoam, atirando-se a silvados que o ferem - sem encontrar a estrada real, onde está a luz, a paz. Ninguém! Ninguém!

Não, enganava-se: alguém o amava, uma pobre velha, simples, de coração amante, que ela mesma na vida só tivera lágrimas - e que estava, agora, sob a lousa, naquele cemitério, de que ele via, ao fundo do atalho por onde ia caminhando, os ciprestes agudos. E apressou então o passo, para ir ver a sepultura da tia Sabina.

Eça de Queirós in A Capital!

domingo, 16 de setembro de 2012

Memória eidética, número três


Changing, por Aleksandr Malin

sábado, 15 de setembro de 2012

D'Bandada pelo porto

Tenho sonhado com o Porto, que moro na cidade e que vagueio pelas ruas. Tem acontecido de uma forma estranhamente frequente, como aqueles sonhos que pensamos já ter sonhado mas que ao acordar sabem a novo e a intenso. O resultado é uma vontade crescente de lá ir passar uns dias, o que teria sido perfeito este fim-de-semana, que vão haver concertos gratuitos em locais pouco comuns: coisa que sempre achei  alguma graça.

Que tal o Samuel Úria e o Nuno Prata ao vivo na Barbearia Veneza?



quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Arte quis ser vida


Este podia ter sido o título do post anterior, mas só depois de pensar no que tinha escrito é que esta música me veio à cabeça. A maioria das letras dos trabalhos de Manuel Cruz tocam-me sempre de alguma maneira.



É o meu brinquedo, é o meu brinquedo!
Eu estrago, eu arranjo, eu entendo

E sobretudo é nele que eu aprendo
A calar meu medo