quarta-feira, 10 de outubro de 2012

speak in rounds


Come get what's lost, what's left before it's gone 

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Clockwork Orange, de Stanley Kubrick


Nem sei que palavras escolher para dizer o que achei deste filme. É um brincar com o livre arbítrio, até com o nosso de espectadores. É um enredo arrebatador que gira à volta de apenas uma coisa: é preferível obrigar uma pessoa à mudança, ou deixa-la ser, mesmo que isso signifique algo que não gostamos? Isto, passado num cenário futuro, num futuro bem mais aprazível do que o que hoje se conta nos filmes.

E algo mais, o título Clockwork Orange (do romance original de Anthony Burgess), vem da mistura do que é mecânico com aquilo que é vivo e doce - um engenhoso oximoro que faz todo o sentido depois de ver o filme.


domingo, 7 de outubro de 2012

Memória eidética, número seis

Auto-retrato de William Utermohlen, um pintor com alzheimer, 1997



Ao descobrir que tinha a doença, começou a pintar-se para a tentar perceber. Vejam a negra sucessão de auto-retratos aqui.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

um poema que me faça lembrar a minha vontade contra corrente

Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!

José Régio, in Cântigo Negro

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

The Life Aquatic, de Seu Jorge



Conheci este disco através do filme para o qual foi feito e no qual o Seu Jorge também entra, o Life Aquatic with Steve Zissou de Wes Anderson. A ideia de fazer com que uma personagem trate da banda sonora com o seu violão e voz forte é muito boa, sobretudo quando a música é cantada em português, o que me levou a querer ouvi-la com mais detalhe. Surpreendente foi também o facto de grande parte das músicas serem adaptações de músicas do David Bowie. Algumas delas não ficam nada atrás das originais, mas isso já é coisa de gosto.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

um poema que me traga a morte com toda a benignidade do mundo

o rapaz dotado de três mortes
tem um sonho exactamente igual ao
meu. espera encontrar quem genuinamente o
queira, sem condições, como se esperasse
pela água e fosse semente e pudesse germinar
com o aspecto que lhe aprouvesse e ser, enfim,
de uma qualquer espécie sem reservas nem
preocupações.
o rapaz dotado de três mortes
só pensa em morrer. acorda para morrer.
pensa que a morte é a grande oportunidade. tudo
o mais é atrito no caminho. pensa que,
se houver deus, a morte é
verdadeiramente a oportunidade que conta. e
esforça-se por merecê-la.
hoje, sem que eu contasse, olhou para mim, não
disse nada, percebeu como éramos iguais e
não me estranhou. convenci-me de que já vira
outros como nós, à espera, fartos da vida
com ar de quem ainda quer mais. cheguei a casa,
pouco depois, soterrei a alma, permaneci
imóvel diante dos livros. pensei, há-de
haver um poema que me tire daqui, um
só poema que me traga a morte com toda a
benignidade do mundo

valter hugo mãe in pornografia erudita

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Cadernos da Tese: a mobilidade e a música

O mais inglório de estar a fazer uma tese sobre mobilidade, que defende o uso transporte colectivo face ao individual (e poluente), e de eu próprio defender esta ideia extracurricularmente, é a CP. Estas greves, que são claramente excessivas e que ocorrem mesmo quando não existem, lixam e põe tudo em causa. Tanto quanto sei, os outros transportes, funcionam relativamente bem. Ora vejam como será o mês de Outubro em alguma das estações do metro de Lisboa, que sempre foram boas para ver pessoas a tocar. Hoje, que é dia mundial da música, começa-se logo a viajar com bons sons.


domingo, 30 de setembro de 2012

Memória eidética, número cinco

Comboio da Linha do Tua, Sendas, 1975

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Fear Fun, de Father John Misty


Arrisco-me já a dizer que este é o disco que mais gosto deste ano. Não é apenas por ser realmente bom, mas trata-se de um Tillman completamente novo. Não que os discos anteriores não fossem também bons de ouvir, aconselho-os vivamente a quem gosta daquele folk mais melancólico, mas este, do seu alter-ego Father John Misty, é acompanhado de uma personagem excêntrica, que se revela na sua musicalidade também renovada. Ora veja-se como ele próprio a descreve:

Misty is a drunk, shamanic drifter character offering you a cup of his home-brewed ayahuasca tea. There is nothing naive or sentimental about him. He’s a loner who doesn’t see the world as being worth saving. ‘Father John Misty’ is not really even meant to be taken as a literal person, more like an avatar of mischief. He likes to needle people a little and freak ‘em out. But I could’ve called him ‘Steve.

Para já, Fear Fun, tem-me acompanhado nas poucas viagens que tenho feito para a faculdade, com o rio Tejo como fundo. Mas vai ficar bem melhor quando as chuvas e o frio de Outono voltarem de vez.


domingo, 23 de setembro de 2012

Moonrise Kingdom, de Wes Anderson



Sou suspeito em falar, porque adoro todo o imaginário dos filmes deste realizador, mas este está especialmente fantástico, em cada pequeno detalhe.