sexta-feira, 19 de outubro de 2012

as influências e o Chico Buarque de Hollanda

Nunca fui muito dado à música brasileira. Quando era pequeno ouvia-se aquelas coisas mais pop e eu era um fiel amante do roque. Hoje o que ouço é um pouco mais diversificado, talvez até por causa da maneira como a música evoluiu, e reparo que têm influencias para os lados do folque, da musica mais erudita e até do bossa-nova, mas ainda dentro de um certo padrão do que ainda se pode apelidar de roque, ou pop roque, vá de indie qualquer-coisa, nunca fui muito bom com este tipo de rótulos. Tudo isto para dizer que comecei a investigar essas influências e acabei por descobrir o Chico Buarque de Hollanda, vol. 3, um bom disco em português com sotaque. 


quarta-feira, 17 de outubro de 2012

o outono já está velho para vir

O outono já está velho para vir. já não vem, ou demora. já não vem a mudança, as folhas a cair, a nudez e o ligeiro arrepio à frente do espelho. Lembro-me de ser pequeno e as folhas caírem, ficavam ainda no chão algum tempo, ficavam estaladiças primeiro e só depois molhadas, assim já não faziam sons. estavam como que afogadas: estendidas e moles. mas ainda demorava até ficarem assim, primeiro ficavam estaladiças e eram boas de pisar. Agora já não há mudança, nem a nudez e nem o arrepio ao espelho, tomamos banho vestidos e mal nos olhamos. Já não há outono, ou demora, mas já não é a mesma mudança. eu preciso da mudança, as minhas cordas precisam da mudança. estão gastas e moles, estão velhas para vir.


segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Being John Malkovich, de Spike Jonze


Charlie Kaufman escreveu, Spike Jonze realizou, e o resultado foi um filme tão bom como não existem muitos. Joga com as mais profundas obsessões pessoais de cada um, levando-as a um extremo e acrescentando alguma surrealidade, que fazem todo o filme ser o que é. Todo o conceito de identidade que acompanha o filme está muito bem explorado, a cada personagem, a cada detalhe da história. Só tenho pena de não o ter visto mais cedo, mais um!


domingo, 14 de outubro de 2012

memória eidética, número sete

Christopher McCandless (Alexander Supertramp), 1992

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

o triste caso do vale do tua

Quando nada mais tenho a fazer com a internet, tenho sempre duas ocupações: passear pelo google earth e procurar fotografias antigas de alguns locais.

Agora pergunto-me qual será a reacção das pessoas do futuro que partilhem desta minha ocupação se a barragem de Foz Tua de facto avançar. Como será descobrir uma linha ferroviária magnifica que acompanha um rio num estado natural único, num vale dos mais ilustres que temos em portugal? Basta ir ao google earth para ver a sua magnitude, mas ao vivo é outra história. Já naveguei no rio. Já percorri a linha, agora abandonada. E é por isso que choro pelo vale do tua, que luto por ele, e é por isso que tenho a certeza de que este é um caso de crime, porque não há nenhum valor que se possa sobrepor ao valor de um local com património natural, histórico e cultural, muito menos uma barragem que nada serve para o "progresso" energético português.

Este assunto ainda vai dar muito que falar, se quiserem saber mais há aqui muita coisa.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

speak in rounds


Come get what's lost, what's left before it's gone 

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Clockwork Orange, de Stanley Kubrick


Nem sei que palavras escolher para dizer o que achei deste filme. É um brincar com o livre arbítrio, até com o nosso de espectadores. É um enredo arrebatador que gira à volta de apenas uma coisa: é preferível obrigar uma pessoa à mudança, ou deixa-la ser, mesmo que isso signifique algo que não gostamos? Isto, passado num cenário futuro, num futuro bem mais aprazível do que o que hoje se conta nos filmes.

E algo mais, o título Clockwork Orange (do romance original de Anthony Burgess), vem da mistura do que é mecânico com aquilo que é vivo e doce - um engenhoso oximoro que faz todo o sentido depois de ver o filme.


domingo, 7 de outubro de 2012

Memória eidética, número seis

Auto-retrato de William Utermohlen, um pintor com alzheimer, 1997



Ao descobrir que tinha a doença, começou a pintar-se para a tentar perceber. Vejam a negra sucessão de auto-retratos aqui.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

um poema que me faça lembrar a minha vontade contra corrente

Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!

José Régio, in Cântigo Negro

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

The Life Aquatic, de Seu Jorge



Conheci este disco através do filme para o qual foi feito e no qual o Seu Jorge também entra, o Life Aquatic with Steve Zissou de Wes Anderson. A ideia de fazer com que uma personagem trate da banda sonora com o seu violão e voz forte é muito boa, sobretudo quando a música é cantada em português, o que me levou a querer ouvi-la com mais detalhe. Surpreendente foi também o facto de grande parte das músicas serem adaptações de músicas do David Bowie. Algumas delas não ficam nada atrás das originais, mas isso já é coisa de gosto.