tenho uma boa relação com lisboa, não me canso das ruas, das imperfeições da calçada. gosto dela no dia e na noite. gosto da cidade que é, de entrar no seu ritmo, hei de viver no centro. sou um citadino com limites, por mais que aprecia a vida nesta cidade, sei que tem um limite. como tudo. e esse limite guia-me para o campo, para a floresta. tenho uma ligação com essa forma mais natural da vida, talvez porque as minhas raízes não estão na cidade, mas numa vila no interior de portugal. talvez nem seja por isso, não importa, a ligação existe. moro num subúrbio de lisboa e gosto de me deitar na cama, olhar pela janela e ver apenas duas árvores, agora despidas, com o céu por trás. sem prédios e mascaradas de uma quase inexistente intervenção humana. sossega-me o tal limite. talvez seja também por isso que tenho a necessidade de fazer aquela viagem solitária por um local onde possa contactar com a natureza. gosto de coisas que recordem desta ligação, como alguns filmes que vejo, ou bandas que ouço. esta é uma delas.