Jorge Amado, José Saramago e Caetano Veloso, Bahia, 1996, por Zélia Gattai
73 minutos de bondade
Há 18 horas
Há algum tempo que tencionava visitar a fundação josé saramago, na casa dos bicos. É uma bonita e completa exposição, sobretudo com um colectivo de funcionários simpáticos e atenciosos, que trabalham para um bom funcionamento da fundação e para o público visitante, coisa que não se vê vulgarmente neste tipo de museus. Posso até partilhar que, por ter chegado a uma hora do fecho, fui inquisitorialmente questionado pela frase conseguiu ver tudo? de certeza? e, como a resposta foi pouco convicta, fui convidado a regressar no dia seguinte, sem custos extra - algo que me pareceu acontecer com frequência, mesmo quando o preço é nada elevado. É, portanto, com ainda maior tristeza com que olho para o vandalismo a que a casa foi sujeita recentemente.há uma maturidade muito grande na morte, pensava maria da graça. uma sabedoria qualquer que nos acode. sentiu-se muito calma tão rente à felicidade e compreendeu que era só o que queria. nem lhe importava absolutamente que existisse deus e ele a julgasse também para uma vida além corpo. era só importante que pusesse um fim ao quotidiano cansativo que vivia e a morte estava diante de si como um passo apenas em determinada direcção. depois disto, pensa também, não estarei em lugar nenhum. e até o querer que exista o maldito, em alguma nuvem à minha espera, vai deixar de fazer sentido no momento em que eu própria desaparecer de todo e não puder pensar nisso nem no contrário.
valter hugo mãe, em o apocalipse dos trabalhadores
Que vai ser quando crescer?
Vivem perguntando em redor. Que é ser?
É ter um corpo, um jeito, um nome?
Tenho os três. E sou?
Tenho de mudar quando crescer? Usar outro nome, corpo e jeito?
Ou a gente só principia a ser quando cresce?
É terrível, ser? Dói? É bom? É triste?
Ser; pronunciado tão depressa, e cabe tantas coisas?
Repito: Ser, Ser, Ser. Er. R.
Que vou ser quando crescer?
Sou obrigado a? Posso escolher?
Não dá para entender. Não vou ser.
Vou crescer assim mesmo.
Sem ser Esquecer.
Drummond de Andrade, in Verbo Ser
sabes, são lindos todos os países com um povo delicado, e em portugal, amor, fizeram uma revolução com flores. tens a certeza. absoluta. puseram flores nas armas e conquistaram a liberdade. a ekaterina fechou os olhos por uns instantes, e mesmo tão rente à loucura do sasha acreditou num portugal justo, onde o seu filho estaria bem, fazendo amigos, trabalhando para um futuro belo, tão belo o filho, tão sofrido, tão bom rapaz. como sabes disso, sasha. aprendi. sasha, fazes-me muito feliz. obrigado por me fazeres feliz.
valter hugo mãe, em o apocalipse dos trabalhadores