sexta-feira, 19 de abril de 2013

a contemplar os lírios do campo

oiçam-no, que é coisa bonita e fala por si mesmo.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

as histórias para crianças

E se as histórias para crianças fossem de leitura obrigatória para os adultos?

Seríamos realmente capazes de aprender aquilo que há tanto tempo ensinamos?

José Saramago

terça-feira, 16 de abril de 2013

a evolução do léxico e o léxico renitente

Em consequência do post de há uns dias atrás, a função da palavra, surgiu-me mentalmente outra hipótese. Se, em tempos primitivos, o palavreado não chegava para o que se queria dizer, agora algumas palavras talvez estejam condenadas ao desuso. Não tenho uma ideia precisa de como evoluiu o conjunto de palavras que é a língua portuguesa, tal deve ser objecto de um ramo da história, mas a verdade é que os mais antigos usavam um conjunto de palavras mais elegantes no seu vocabulário diário. Palavras que hoje não se falam nem se escrevem, mas existem. Não é que actualmente não se acrescentem palavras às novas edições do dicionário universal da língua portuguesa, mas só me vêm à memória estrangeirismos e o calão, como quando acrescentaram o bué e o fixe. E estes livros, não passarão a ser também registos ou arquivos das palavras da nossa língua?

Abri aleatoriamente o dicionário, é escolar e por isso não serve o propósito deste exercício na perfeição, e encontrei poucas palavras que desconheço - réprobo, repelão,  repimpar, repontar, reposteiro - mas muitas que não ouço diariamente. Com uma certa vontade renitente, vou aprender e usar uma palavra nova a cada dia. Hoje foi renitente, adjectivo para teimoso e para algo que resiste.




segunda-feira, 15 de abril de 2013

a ironia na preferência pelos políticos comentadores

Não sou socratistaanti-socratista, cavaquista, nem passista, ou de qualquer outro neologismo associado à política. Este post destina-se essencialmente à partilha da ironia no actual resultado do seguinte inquérito do jornal público (ver aqui para mais detalhe)


domingo, 14 de abril de 2013

Memória eidética, número trinta e dois


Jorge Amado, José Saramago e Caetano Veloso, Bahia, 1996, por Zélia Gattai

sábado, 13 de abril de 2013

a função da palavra

Existem coisas que nunca se poderão explicar por palavras, pensou Beltriano, numa conversa mental que mantinha consigo próprio. Já estivemos mais longe disso, retorquiu ainda para si, a língua e as palavras foram inventadas pelo homem exactamente para designar e explicar, e não terá sido trabalho fácil, o de acordar um nome para uma determinada coisa.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

a fundação josé saramago


Há algum tempo que tencionava visitar a fundação josé saramago, na casa dos bicos. É uma bonita e completa exposição, sobretudo com um colectivo de funcionários simpáticos e atenciosos, que trabalham para um bom funcionamento da fundação e para o público visitante, coisa que não se vê vulgarmente neste tipo de museus. Posso até partilhar que, por ter chegado a uma hora do fecho, fui inquisitorialmente questionado pela frase conseguiu ver tudo? de certeza? e, como a resposta foi pouco convicta, fui convidado a regressar no dia seguinte, sem custos extra - algo que me pareceu acontecer com frequência, mesmo quando o preço é nada elevado. É, portanto, com ainda maior tristeza com que olho para o vandalismo a que a casa foi sujeita recentemente.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

pensamentos sobre a morte

há uma maturidade muito grande na morte, pensava maria da graça. uma sabedoria qualquer que nos acode. sentiu-se muito calma tão rente à felicidade e compreendeu que era só o que queria. nem lhe importava absolutamente que existisse deus e ele a julgasse também para uma vida além corpo. era só importante que pusesse um fim ao quotidiano cansativo que vivia e a morte estava diante de si como um passo apenas em determinada direcção. depois disto, pensa também, não estarei em lugar nenhum. e até o querer que exista o maldito, em alguma nuvem à minha espera, vai deixar de fazer sentido no momento em que eu própria desaparecer de todo e não puder pensar nisso nem no contrário.

valter hugo mãe, em o apocalipse dos trabalhadores

é para mim difícil pensar em deixar de existir. não acredito, ou tendo a não acreditar, em algo superior a nós próprios, isso é pouco importante para praticar a vida da forma como a pratico. no entanto é assustador assumir que, para o que quer que se suceda, seja irrelevante o pensamento de agora, porque tudo o que resta é nada. embora isso possa devolver igualmente uma certa tranquilidade.

terça-feira, 9 de abril de 2013

os vários finais de um livro

Li uma versão especial de a máquina de joseph walser, numa edição conjunta com um homem: klaus klump, onde ambos os livros foram aumentados e tiveram, assim, um final diferente. Não conhecia o fim original de nenhum dos dois e o primeiro estava em destaque na fnac. Li-o e achei-o mais provocante, ainda que a sua continuação fosse um pouco mais tranquilizante, embora enigmática. Todo este processo foi como saber o que acontecera depois de algo ter já terminado.

Talvez em consequência, dei por mim a encontrar um primeiro final para o livro que actualmente estou a ler, o apocalipse dos trabalhadores, na página 159. É um exercício interessante, o de encontrar um primeiro final, um momento no qual uma história podia cessar de se desenhar aos olhos do leitor. Não sei o que se passará nas páginas seguintes, mas encontrei ali um momento de tranquilidade com o qual ficaria satisfeito se fossem as últimas palavras que viria a ler sobre a quitéria e a maria da graça.



domingo, 7 de abril de 2013

Memória eidética, número trinta e um


Woody Allen vestido de Chaplin, Nova York, 1972, por Irving Penn