sexta-feira, 21 de junho de 2013

os bairros são aldeias na cidade

Hoje dei-me conta do que é verdadeiramente um bairro de lisboa. Fiz uma coisa que já não fazia há algum tempo: aventurar-me por ruas que desconheço da capital e seguir. Já conheci sítios fantásticos assim e já penso em fazê-lo de bicicleta pelas novas ciclovias. Saí do saldanha e fui dar ao campo mártires da pátria, passei pela faculdade nova de ciências médicas, e desci pela calçada de santana até ao rossio. Nunca tinha feito este percurso nem estado nestes sítios, nem pensei que fosse dar logo ao rossio, era o meu destino, mas achava que estava para os lados do martim moniz, já que, mais cá para baixo, se notava uma maior diversidade cultural. Quando comecei a descer a calçada de santana vi que estava dentro de um qualquer bairro lisboeta, as pessoas conheciam-se, falavam quase com um sotaque típico. Remeteu-me logo para as aldeias de portugal. Talvez os bairros lisboetas sejam isso mesmo, as memórias dos mais tradicionais espaços lisboetas, aldeias de pequenos prédios colados que se montam em ruas estreitas, rodeadas agora por uma cidade, por sua vez rodeada por subúrbios. E os santos populares? São nada mais que as tradicionais festarolas de aldeia. Não é irónico tanta gente querer viver essa vida bairrista nos santos populares e também tanta gente desdenhar as típicas festas nos remotos e agora quase inabitados locais de portugal?

quarta-feira, 19 de junho de 2013

o nosso não não é um não

E se quisermos dizer não, até onde vai a nossa vontade? Se essa vontade for colectiva, for a vontade de uma maioria e essa maioria quiser dizer não, até que ponto esse grande não é ouvido? Qual é função da população na democracia? Colocar uns papeis com umas cruzes dentro de umas caixas de quatro em quatro anos para eleger umas cabeças que nos representem, será só isso? E se assim, o que é uma vontade colectiva passe a ser uma memória colectiva, como as tradições que, anos mais tarde, se afundam?


terça-feira, 18 de junho de 2013

memórias do fmi na argentina

Enquanto a Argentina vivia sob a ditadura militar nos anos 70, o FMI e o Banco Mundial providenciaram empréstimos e, em troca, exigiram que as indústrias argentinas fossem abertas a investidores estrangeiros e que as indústrias nacionais fossem privatizadas. Passado pouco tempo, o país tinha contraído uma dívida pesadíssima (o que é bastante  típico sempre o Banco Mundial se envolve em algum sítio) e o desemprego crescera. 

David Byrne, em Diários da Bicicleta
É familiar? Era bem pertinente estudar todos resgates, este está no documentário The Take.

domingo, 16 de junho de 2013

Memória eidética, número quarenta e um


Georgia O'Keeffe, 1918, por Alfred Stieglitz

quinta-feira, 13 de junho de 2013

homem elefante, de riding pânico

riding pânico - parece que perdeste alguém

Mais do bom roque instrumental português, o disco inteiro está para audição aqui.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

da bicicleta do david byrne, parte dois

Estranhamente, a recente espiral descendente da economia pode vir a ser uma grande oportunidade. A sustentabilidade, os transportes públicos e as ciclovias já não são motivo de troça das pessoas. (...) Muitas vezes, apenas é preciso alguma vontade política, e uma ou duas alterações significativas, para que as coisas comecem a mudar por si próprias.

David Byrne, em Diário da Bicicleta

terça-feira, 11 de junho de 2013

uma canção que remeta à reinvenção

Mas tudo bem
o dia vai raiar
para a gente se inventar de novo

Cícero - Tempo de Pipa 

segunda-feira, 10 de junho de 2013

um poema, ou coisa que o valha, para o dia de(ste) portugal

portugal está para acabar
é deixar o cabrão morrer
sem a pátria para cantar
sobra um mundo para viver
chegam flores do estrangeiro
já escolhemos o coveiro
por mim é para queimar
mas não quero exagerar
não à glória nacional
não à força não letal
já não canto sobre amores
nem me perco no recheio
é que em terra de amadores
basta ter o pau a meio

faz sinal ao galo vencedor
que esta dança é arriscada
vai pela crista não vás num bom cantor
que a cantiga está mal parada

B Fachada, em deus, pátria e família

domingo, 9 de junho de 2013

Memória eidética, número quarenta


Ernst Hemingway, 1957, por Yousuf Karsh

sábado, 8 de junho de 2013

da bicicleta do david byrne

A mesma sensação de liberdade que experimentara em Nova Iorque voltou a surgir enquanto pedalava por várias das principais cidades do mundo. Sentia-me mais próximo da vida nas ruas do que teria acontecido se tivesse dentro de um carro ou a utilizar algum tipo de transporte público: podia parar sempre que quisesse; muitas vezes (mesmo muitas), era mais rápido do que um carro ou um táxi para ir do ponto A ao ponto B; e e não tinha de seguir de seguir nenhum percurso predeterminado. O mesmo entusiasmo, à medida que o ar e a vida nas ruas passavam por mim a correr, repetiu-se em cada cidade. Para mim tornou-se um vício.

David Byrne, em Diários da Bicicleta
Um óptimo, e talvez mais importante, ponto de vista que nunca tinha ouvido de ninguém das bicicletas, o da proximidade. Prevê-se que este blogue se venha a tornar mais ciclável, dado à leitura deste livro.