sexta-feira, 9 de agosto de 2013

o dia em que conheci urbano tavares rodrigues

não pessoalmente, mas através de uma entrevista no ípsilon. Não conhecia Urbano Tavares Rodrigues de cara, apenas de nome, os nomes feitos de três palavras soam sempre familiares, mas foi precisamente o seu rosto que me levou a ler aquela entrevista. Era um rosto já enrugado, transparente, e dotado de uma gentileza aberta, como se o próprio dono daquele rosto fosse incapaz de não o ser, mas também de uma certa vulnerabilidade no olhar. Li a entrevista e a vulnerabilidade foi desaparecendo, ficou a transparência, identifiquei-me. Talvez me identifique sempre com algo diferente ao que estou habituado, afinal Urbano Tavares Rodrigues era um senhor de quase noventa anos que falava abertamente de erotismo e com algumas ideologias que me agradaram, ambas muito pouco comuns nas pessoas mais velhas com quem convivo e muitas delas com metade da idade do escritor. Enfim, é por me identificar que sigo e leio ou ouço ou vejo, é um ciclo, e vou com certeza continuar a ler o senhor dotado de uma gentiliza aberta.


quinta-feira, 8 de agosto de 2013

o poema mais curto e mais completo


Humor


Amor, de Oswald de Andrade

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

sobre as salas de cinema fechadas

Olho para os cinemas fechados como olho para os prédios devolutos a cair em lisboa, que deviam ser reabilitados, tanto para habitação como para outros usos, veja-se como se reergueu a lx factory. E os cinemas fechados pouca reabilitação precisam, são salas prontas a ser usadas, algumas históricas, como o cinema Londres. Não há ninguém que pegue nas salas? Para uma coisa diferente, especialmente quando o cinema maistream está cada vez mais sedento de dinheiro com as suas dimensões acrescidas, algo que divulgue o cinema nacional, do género de o cinema português a gostar dele próprio. Alguém?

domingo, 4 de agosto de 2013

Memória eidética, número quarenta e oito

Ai Weiwei no Moma, Nova York, 1987

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

sobre o ano da morte de ricardo reis


Um romance de Saramago sobre o último ano da vida de Ricardo Reis, heterónimo de Pessoa, é, conteúdo à parte, algo criativamente apetecível, especialmente para quem gosta de ambos os autores. Lisboa ser revisitada em toda a acção, aumenta ainda mais a vontade da leitura. Havendo ainda dúvidas, Saramago é um génio que fez com que todo o ano de 1936 se prendesse no corpo do poeta preso à observação do espectáculo do mundo.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

miniatura normativa, parte três

é um fenómeno de óptica, uma ilusão, aprende-se no liceu, azul e amarelo dá verde, verde e violeta dá branco, branco e ansiedade dá palidez.

José Saramago, em O Ano da Morte de Ricardo Reis

terça-feira, 30 de julho de 2013

Ai Weiwei, never sorry, de Alison Klayman


Não conhecia a maioria dos detalhes da história de Ai Weiwei, até pensei que o motivo pelo qual fora preso estava mais relacionado com liberdade de expressão da arte na sociedade chinesa. Este é um documentário para quem gosta de arte e de conhecer mais dos artistas, para quem gosta de activismo e para quem está à procura inspiração.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

thom yorke, por craig mcdean





As fotografias foram para a Interview Magazine, para a qual foi entrevistado pelo actor Daniel Craig.

domingo, 28 de julho de 2013

Memória eidética, número quarenta e sete


Varvara Stepanova, Moscovo, 1924, por Alexadr Rodchenko