segunda-feira, 21 de outubro de 2013

o que distingue camões do português médio

- Sabe qual é a diferença, a diferença cientificamente exacta, entre Camões e um português médio?
Sors encolheu os ombros, mostrando que não fazia ideia.
- Camões distingue-se do português médio por ter menos uma pala nos olhos - disse o homem.

Afonso Cruz, em O Pintor Debaixo do Lava-louças

domingo, 20 de outubro de 2013

Memória eidética, número cinquenta e oito


O suicídio de Evelyn McHake, conhecido como o mais belo suicídio, Empire State Building, Nova York, 1 de Maio de 1947, por Robert Wiles

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

escrevi torto por linhas rectas

«Existe uma obsessão pela linha recta. O homem não descansou enquanto não transformou a viagem num percurso em linha recta.» Foi esta a epígrafe da minha tese de mestrado. Tentei, quase discretamente, que a frase remetesse ao tema da tese, mas nem era uma prioridade. A epígrafe era sobretudo para mim e acabou por surgir esta, do Gonçalo M. Tavares, que me assentava na perfeição e em meias palavras falava de mobilidade. Por vezes as palavras mais acertadas são aquelas que não estão escritas, como um silêncio dos escritores.

O homem tem, de facto, uma obsessão pela linha recta e no mundo estas não existem por natureza. Moralmente o recto simboliza o bom e o torto aquele que se afasta. Senta-te direito, dizia subliminalmente o meu professor de filosofia. E o curioso desta história é que, na discussão da tese, comentaram a epígrafe sem qualquer suspeita de que era uma provocação (tamanha é a obsessão). Uma provocação à rapidez de hoje em dia, à forma recta que desejam em tudo. Nunca pretendi que o meu caminho universitário fosse assim, uma entrada para uma saída, e é tudo o que vejo à volta.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

miniatura normativa, parte seis

Não há mal em ser foleiro, se já o foi o mundo inteiro.

Éme, em fetra

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

sobre as histórias

Enquanto a água se pode guardar em garrafas, as histórias não podem ser engarrafadas sem que se estraguem rapidamente. Têm de andar ao ar livre como os animais selvagens. Temos de as soltar para que possam correr todas nuas.

Afonso Cruz, em O Pintor Debaixo do Lava-loiças

terça-feira, 15 de outubro de 2013

do álbum fotográfico do devendra


tirado do chumblr do devendra banhart.

domingo, 13 de outubro de 2013

Memória eidética, número cinquenta e sete


Ezra Pound, Veneza, 1971, por Henri Cartier-Bresson

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

como as armas, as mulheres

O Nandos diz que é uma fusca sacana, adora surpresas. Cabe em qualquer gabardine e quando encurralada não se cala até deixarem passar. Esta cabra só pode ter sido criada à nossa imagem e semelhança. Está sempre a criar danos colaterais e não se importa se não acertarmos em cheio, desde que leve muitos consigo. Mais uma fã dos múltiplos.

Ricardo Adolfo, em Maria dos Canos Serrados

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

updike, quase sobre o que escrevi ontem


tirado deste maravilhoso blogue.