domingo, 26 de janeiro de 2014

Memória eidética, número oitenta e dois


Espião soviético a rir-se para o seu executante, Finlândia, 1942 

sábado, 25 de janeiro de 2014

o álcool como inspiração

O senhor Henri estava no jardim em frente ao seu banco preferido, onde sentada uma mulher tocava violino.
O senhor Henri interrompeu a violinista e disse: António Stradivarius foi o famoso construtor de violinos.
... era o arquitecto dos violinos, bem se pode dizer.
(...)
... porém, o álcool apareceu muito antes do violino.
... muito antes de existirem violinistas já existiam pessoas inspiradas artisticamente pelo álcool.

Gonçalo M. Tavares, em O Senhor Henri

o pensamento e o absinto

O senhor Henri pensou mais um pouco e depois disse: já percebo por que razão se começa a pensar.
... é por causa do cansaço.
... se todos os homens tivessem uma boa condição física não haveria um único filósofo.
O senhor Henri, antes de recomeçar a andar, disse ainda: felizmente no mundo, existe o absinto.
... o absinto é o melhor estímulo para a cabeça que existe. Por vezes não sei mesmo o que pensa melhor na minha cabeça: se a minha própria cabeça se o absinto.
... mas provavelmente é o absinto - disse o senhor Henri

Gonçalo M. Tavares, em O Senhor Henri

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

o truque do senhor valéry

O senhor Valéry vestia sempre de negro. Ele explicava:
- Ao verem-me de preto julgam-me de luto e, por compaixão, não me enviam mais sofrimento. (...) É como uma reacção química. (...)
- Se de um lado se encontra tudo escuro e do outro tudo claro, a tendência é para o lado escuro oferecer escuro ao lado claro, e o lado claro oferecer claridade ao lado escuro. Passado algum tempo encontra-se em equilíbrio.
- O meu truque - dizia o senhor Valéry, enquanto distraído pelos raciocínios vestia um fato branco - o meu truque - dizia ele - é andar sempre vestido de luto. Para atrair a alegria.

Gonçalo M. Tavares, em O Senhor Valéry e a lógica

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

mais do quotidiano dinamarquês de bicicleta

É assim que a embaixadora da Dinamarca na Áustria , Liselotte Plesner, chega às reuniões.


segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

o senhor kraus e o ensaio sobre a lucidez

«Um dia destes você vai ser chamado a votar, antes de o fazer leia este livro» diz um invólucro da capa do ensaio sobre a lucidez, de Saramago, na mais recente edição. Acabei de ler outro livro que se pode por nesta categoria. Complementam-se. O Senhor Kraus e a política, de Gonçalo M. Tavares. O primeiro é um ensaio sobre o lado mais perverso do cérebro dos políticos, o segundo uma sátira à completa falta de inteligência de outros.

domingo, 19 de janeiro de 2014

Memória eidética, número oitenta e um


Guerra Junqueiro, algures no inicio do século vinte

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

acabando a semana com uma canção fatalista

Para uma canção que canta as hipóteses de morrer num choque frontal com um autocarro londrino ou com camião de dez toneladas, é bem boa.


The Smiths - There is a light that never goes out

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

o trabalho da morte

A dentadura dentro do copo de água mostra o trabalho da morte, como ele é contínuo e não algo que acontece de repente. Os dentes já morreram todos, diz o copo de água com um sorriso lá dentro.

Afonso Cruz, em Jesus Cristo bebia cerveja

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

os vários momentos em que morremos

Só se levanta depois de Matilde percorrer o corredor e de deixar de a ver. Não a quer ver mais. A vida das pessoas acaba assim e Matilde nem sequer tem consciência de que morreu uma das suas mortes. De cada vez que deixamos de ser percebidos, morremos. Quando somos enterrados deixamos de ser percebidos por toda a gente, mas quando os outros já não olham para nós, ficaram condenados para um número limitado de pessoas, a uma morte em tudo idêntica à outra. A nossa morte não acontece quando somos enterrados, acontece continuamente: os dentes caem, os joelhos solidificam, a pele engelha-se, os amigos partem. Tudo isso é a morte. O momento final é apenas isso, um momento.

Afonso Cruz, em Jesus Cristo bebia cerveja