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sábado, 15 de março de 2014

vergonha

Ao lado de portugal, os únicos países europeus que não permitem a co-adopção são a rússia, a ucrânia e a roménia. Sinto-me envergonhado.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

com a ucrânia


"Somos um povo civilizado mas os nossos governantes são bárbaros"

Não sei se será pela cara bonita, pela procura de símbolos nos recentes actos pela liberdade, ou principalmente porque toda esta luta na ucrânia já teve dias bem mais bonitos, mas desta vez vi aquele que deve ter sido o vídeo mais partilhado e visto desta semana. Lembrar que isto se passa em plena europa e no século vinte e um, e que tudo começou por uma maior integração da ucrânia na europa.

sábado, 14 de dezembro de 2013

a palavra do ano

Nem sei o que pense sobre a escolha da palavra do ano. Li algures na internet que a internacional foi selfie. Com tantas coisas relevantes e históricas que aconteceram no mundo em 2013, a palavra escolhida é uma que designa algo que se faz há imensos séculos, um auto-retrato. Quanto à portuguesa, só espero que mostre algum activismo politico, embora nos dias que correm seja pouco o que não mostre.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

das manifestação bonitas, desta vez em kiev


Depois da revolução dos cravos, a manifestação da leitura na turquia, que já aqui tinha mostrado, e agora a manifestação ao piano em kiev. Parece que o mundo anda a aprender coisas bonitas connosco, e nós a esquecer aquilo que já fomos.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

impotência cultural

A cinemateca lá se salvou, depois veio a barraca fazer jus ao nome, domingo caí o trono dos cinemas king e entretanto ainda se assinam petições para tentar evitar que antigos cinemas Odéon, há muito abandonados, se tornem mais um centro comercial. Já pareço o meu avô a dizer que cá é tudo ao contrário.


quinta-feira, 21 de novembro de 2013

receber a carta de um escravo chinês

Acho que todos já olhamos para o mar à espera de encontrar uma garrafa com uma mensagem, uma carta de alguém de lá de longe, ou até enviar. Sempre pensei nisto como uma acção alegre, uma forma de comunicar com alguém totalmente desconhecido e na esperança que a garrafa percorra um mundo de viagem. Neste caso a esperança é diferente. Imaginem-se a abrir um brinquedo, ou outra qualquer coisas que seja feita pelos orientes, e encontrarem uma carta de um escravo a denunciar um campo de trabalhos esforçados.

A verdade é que podemos olhar neste momento para portugal e falar de muita coisa má, lobbys, cada vez mais empobrecimento, maior diferença entre classes, por aí, é verdade, devemos lutar contra tudo isso, mas existem vários e grandes problemas a nível mundial e já somos, ou devíamos, ser pessoas civilizadas há uns quantos anos. Podemos até culpar o capitalismo, mas somos nós que estamos no fim da cadeia.


quinta-feira, 14 de novembro de 2013

muros brancos, povo mudo

Se muros brancos significam um povo mudo, qual o significado de ser necessária uma autorização para fazer um graffiti? Povo oprimido? Quem autorizaria frases revolucionárias hoje? Ou algo do género do dos gémeos na fontes pereira de melo focado em nós. Por outro lado, quem não autorizaria?



quarta-feira, 25 de setembro de 2013

sobre a história de encomendar filmes a woody allen

Gosto bastante do Woddy Allen e da maioria dos seus filmes que vi, mas acho que é um grande erro uma cidade financiar um filme dele para se promover. Fala-se de lisboa e do rio de janeiro. Em primeiro lugar, existem realizadores de ambos as nacionalidades que já mostraram obras de qualidade. Seria também investir e divulgar o cinema nacional. Em segundo lugar, quem melhor para filmar determinada cidade que alguém que a conheça bem e/ou que seja residente? Por último, acho que impor uma cenário para um filme, especialmente para um Allen, não é criativamente natural. Vejam-se os seus dois últimos, ambos fora de nova york, um deles criado de raiz com paris como fundo, outro, encomendado para ser feito em roma. Fui apenas eu a achar o to rome with love oco?

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

sobre a privacidade na nova era

Tendo nascido na transição da mentalidade "analógica" para a digital, estou habituado a este choque de mundividências. Em especial quanto à "privacidade", conceito que muita gente considera antiquado, fora de moda, tenebroso até. Estamos no século da transparência, e o senhor Zuckerberg, guru com mais de mil milhões de devotos, defende que a sociedade ideal é aquela em que todos sabemos tudo sobre todos. Eu sou daqueles que acham isso uma boa definição de totalitarismo.
(...)
A ideologia transparente suspeita de qualquer ocultação, e a privacidade depende de uma ocultação. Por isso o "segredo", gravissimo ou banal, deve ser desvendado e divulgado. Estamos em territótio orwelliano: tudo é público, tudo tem interesse público, e a vergonha, o embaraço, o pudor ou a reserva são hábitos obsoletos, dos quais todos devem abdicar. Neste novíssimo Big Brother, ser constantemente observado é aceitável e benéfico, enquanto ser ignorado é uma tragédia.

Pedro Mexia, na sua crónica na Atual, do espresso

É isso, ainda que ache que o melhor termo não seja transparência, mas sim, esta acaba no que é privado. 


sexta-feira, 20 de setembro de 2013

a sexta da bina

Sempre que me disserem que a bicicleta não é um modo de transporte eficaz eu mostro esta foto. Copenhaga, pleno inverno.

Snow Chatting - Cycling in Winter in Copenhagen

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

sobre a descrença

Pertenço a uma geração que herdou uma descrença na igreja. Se não foi isso, então é porque nunca me identifiquei, saliente-se, com a igreja católica. Por isso ouvir um papa dizer que a igreja é antiquada é uma muito boa nova. Como se diz nos casos das dependências, o primeiro passo é admitir. 

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

falava-se de engenhosos da charlatanice

e eles logo aparecem, tudo é uma mina de ouro. E depois dos seguros para as bicicletas vêm os seguros para os adeptos da mobilidade pedonal.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

privatizem tudo e não deixem nada

A espanha parece estar bem pior que nós, agora quem quiser levar com tomates tem de pagar 10€. Espero que a moda não pegue, caso contrário lá se vai o carnaval e quem celebrar o halloween tem de pagar taxa especial, que não é celebração de português. E o que não faltam são promotores a querer ganhar uns cobres fáceis e engenhosos da charlatanice a quererem vender o que sempre foi nosso (note-se as sementes). É melhor termos cautela na jogada, até já ouço o José Afonso com os vampiros.


quinta-feira, 15 de agosto de 2013

sobre o museu berardo, para me lembrar do porto

Depois de ler esta notícia comecei a pensar no museu berardo no ccb. Não conheço nenhum outro museu em lisboa que se compare ao museu berardo em termos de arte contemporânea, talvez existam, não fui, de longe, a todos os museus lisboetas. No museu berardo visitei exposições óptimas, lembro-me agora de uma magnifica dos gémeos (autores do famoso grafiti da fontes pereira de melo) e outra sobre os filmes e gravações de Andy Warhol. Pondo as coisas de uma forma mais simples, são umas quantas exposições temporárias por ano e outras duas, penso, permanentes, que fazem parte da colecção do empresário e coleccionador, já para não falar do facto de serem todas gratuitas. Haver um grande pólo de arte contemporânea sempre gratuita em lisboa é um enorme privilegio, é dizer não há esforço em cultivarem-se. Para além do que belém é um local óptimo para se passar uma tarde, tem outras coisas boas para ver, o próprio ccb é um espaço bem agradável, cultural e sempre com coisas a acontecer. Só me recordo de um museu capaz de ser melhor, serralves, aqueles jardins acentuam a diferença. ponto. Só estive uma vez em serralves e realmente, só de pensar, sou incapaz de adjectivar, caramba tenho de voltar. Neste aspecto acho que o porto ganha. Volto a repetir, tenho de revisitar o porto, e de uma forma mais continua.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

sobre o ano da morte de ricardo reis


Um romance de Saramago sobre o último ano da vida de Ricardo Reis, heterónimo de Pessoa, é, conteúdo à parte, algo criativamente apetecível, especialmente para quem gosta de ambos os autores. Lisboa ser revisitada em toda a acção, aumenta ainda mais a vontade da leitura. Havendo ainda dúvidas, Saramago é um génio que fez com que todo o ano de 1936 se prendesse no corpo do poeta preso à observação do espectáculo do mundo.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

sobre o boom das editoras e dos media da internet

Cresci a querer ser músico, não pelas garagens do monte abraão, mas pelas casas da zona, vá duas casas, uma pequena loja que queria ser uma escola de música e duas actuações num anfiteatro dos bombeiros de queluz. Pelas mesmas ruas surgiu a florcaveira, uma das primeiras editoras independentes portuguesas, nasceu e cresceu numa igreja baptista de um qualquer prédio da zona. Mais que a função evidente da editora, está a função do companheirismo entre músicos que, infelizmente, nunca encontrei na maioria dos poucos com quem me cruzei na altura, nem mesmo na escola de música, embora tenha sido lá que encontrei o meu primeiro companheiro musical. E é esse mesmo companheirismo que noto haver na maioria das editoras ou "grupos de bandas", que funcionam mesmo como uma família. Talvez seja essa mesma a razão pela qual está a haver um grande boom destes grupos, que tocam juntos nas bandas uns dos outros, arranjam concertos, fazem discos e claro, são uma melhor alternativa face às grandes editoras. E curiosamente também noto um outro boom, o de uma imprensa alternativa aos media tradicionais, especialmente na área da música, que acabam também por apoiar estes novos artistas. E ambos se espalham por portugal, tornando-o um país mais rico e mais próximo. Sem apoios chegou o faça-você-mesmo. Só pode ser um óptimo sinal.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

da bicicleta de david byrne, parte três

A questão é que, durante o século vinte, o automóvel foi subsidiado a uma escala gigantesca. As estradas todas bem pavimentadas que vão até às terrinhas mais pequeninas e às regiões obscuras dos Estados Unidos não foram construídas nem são mantidas pela GM e a Ford - nem sequer pela Mobil e a Esso. Essas empresas colheram benefícios enormes graças a esse sistema. Deixou-se que as linhas ferroviárias para as cidadezinhas definhassem e morressem e, para a maior das mercadorias o transporte por camião tornou-se a forma mais barata, e por vezes única, de fazer deslocar os produtos de um lado para o outro.

David Byrne, em Diários da Bicicleta
Quase parece uma descrição do que aconteceu por cá, dos largos km de autoestrada que se construíram e das linhas ferroviárias que se continuam a abandonar (claro que falo mais uma vez da linha do tua, mas existem outras centenárias pelo país), e também do nosso adorado lobby do betão. Curiosamente, neste livro, encontrei mais parecenças entre portugal e as cidades dos estados unidos do que propriamente com cidades europeias.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

a equação dos cada vez mais símbolos


Há umas semanas ouvi na tsf um professor de sociologia ou antropologia da FCSH a falar sobre os símbolos das manifestações, que são agora mais efémeros e que se vão substituindo uns aos outros na nossa memória, por serem muitos e que, de certa forma, se iam tornando mais banais. O senhor apontava ainda a grande e fácil divulgação de informação que temos hoje como a principal causa para haver uma memória colectiva cheia de símbolos, que adquirimos para referenciar aquilo que é importante e que tem um certo valor sentimental. Símbolos como os cravos de abril e como a rapariga do vestido vermelho a ser pulverizada de gás pimenta na turquia. A verdade é que hoje existem bastantes sim, e que a rápida proliferação das noticias na internet é bastante importante para que sejamos cada vez mais cidadãos do mundo, e que nos vamos esquecendo de alguns. Assim de repente, lembro-me das manifestações do egipto, da tunísia, sem qualquer símbolo concreto na minha memória, do senhor que se suicidou na grécia, e mais recentemente da jornalista agredida pelos polícias no brasil e da manifestação mais pacifica de todas, a de ler livros em silêncio da turquia. Mas então e a rapidez com que hoje se vive, também não fará parte da equação dos cada vez mais símbolos? Não interessa, venham eles, que fazem falta.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

um cacilheiro em veneza

Não sei quanto a vocês mas, para mim, um cacilheiro nas águas de veneza com uns tipos em cima a tocar Paredes é obra d'arte.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

os bairros são aldeias na cidade

Hoje dei-me conta do que é verdadeiramente um bairro de lisboa. Fiz uma coisa que já não fazia há algum tempo: aventurar-me por ruas que desconheço da capital e seguir. Já conheci sítios fantásticos assim e já penso em fazê-lo de bicicleta pelas novas ciclovias. Saí do saldanha e fui dar ao campo mártires da pátria, passei pela faculdade nova de ciências médicas, e desci pela calçada de santana até ao rossio. Nunca tinha feito este percurso nem estado nestes sítios, nem pensei que fosse dar logo ao rossio, era o meu destino, mas achava que estava para os lados do martim moniz, já que, mais cá para baixo, se notava uma maior diversidade cultural. Quando comecei a descer a calçada de santana vi que estava dentro de um qualquer bairro lisboeta, as pessoas conheciam-se, falavam quase com um sotaque típico. Remeteu-me logo para as aldeias de portugal. Talvez os bairros lisboetas sejam isso mesmo, as memórias dos mais tradicionais espaços lisboetas, aldeias de pequenos prédios colados que se montam em ruas estreitas, rodeadas agora por uma cidade, por sua vez rodeada por subúrbios. E os santos populares? São nada mais que as tradicionais festarolas de aldeia. Não é irónico tanta gente querer viver essa vida bairrista nos santos populares e também tanta gente desdenhar as típicas festas nos remotos e agora quase inabitados locais de portugal?